A história
do nascimento e crescimento do maior evento de vela oceânica
da América do Sul remonta a uma época em que a elite da
vela brasileira competia nas águas abrigadas da represa do Guarapiranga,
na capital paulista já que nelas encontravam melhores condições
do que na distante raia de Ilhabela.
Em 1969
a Copa Ilhabela de Pesca Submarina era um sucesso consolidado e crescia
a idéia de se fazer uma competição de vela a fim
de divulgaro esporte no litoral. Com o apoio dos clubes da represa,
principalmente do Yacht Club de Santo Amaro (YCSA), e da Prefeitura
de Ilhabela, foi então organizada a “Semana da Vela”.
A idéia partiu do então “Capitão de Vela
e Motonáutica” do YCI, Carlos Cyrillo, que junto com Mário
Volkoff e Geraldo Junqueira, entusiasmaram o então diretor de
vela do Yacht Club de Santo Amaro (YCSA), Oscar Wekerle.
Com
o apoio também do velejador Flávio Caiuby, convenceram
vários associados do próprio YCSA e outros velejadores
da represa a enfrentar horas de estrada com seus monotipos para participar
de uma competição nova, sem tradição, mas
que trazia em si um cunho de desafio, como mencionava a carta-convite
para as regatas: “condições para realização
das regatas: são ideais nestas águas, e é desconhecida
por todos os velejadores...” O fato é que, a despeito das
dificuldades, o evento aconteceu com sucesso.
Passaram-se quase quatro anos para que o clube tomasse a iniciativa
de promover um novo torneio de grande porte, o torneio que viria a se
tornar a Semana Internacional de Vela de Ilhabela.
Raul de Souza Sulzbacher, Capitão de Vela do YCI em 1973, afirma:
“Esta história começou com a chegada da classe Optimist
no Brasil. Lembro-me perfeitamente de que no final de 1972 chegaram
ao Brasil os primeiros veleiros da classe Optimist e uma pequena flotilha
se formou aqui na represa de Guarapiranga.
Como, no final de 1972, iria acontecer o Campeonato Sul-Americano de
Optimist, em Buenos Aires, nós, os pais, achávamos que
os garotos precisavam treinar melhor no oceano.
Eu conhecia o Alfredo Cyrillo, do Hotel Ilhabela, e o mês de julho,
naquele tempo, não tinha nenhum movimento na ilha. Assim, aproveitamos
as férias da garotada e passamos uma semana hospedados no Hotel
Ilhabela, com apoio logístico do YCI, treinando as crianças.
Esta semana ficou informalmente conhecida então como a ‘semana
de vela’. Pode ser considerada a 1ª Semana de Vela realizada
em Ilhabela”, conta Raul Sulzbacher.
“Como os pais, neste ano, ficaram só observando a meninada
velejar, ficaram com vontade também de passar uma semana velejando
em Ilhabela. Assim, no ano seguinte, organizaram uma semana de regatas,
para as quais foram convidadas as classes Pingüim e Snipe. Esta
foi na verdade a 1ª semana de competição”,
conta Raul.
Nestas mais de 3 décadas de existência, o evento já
teve o nome de “Semana de Vela de Ilhabela” e, desde 2004,
passou a se chamar “Semana Internacional de Vela de Ilhabela”.
Reuniu e continua reunindo no YCI, indiscutivelmente, os maiores nomes
do esporte brasileiro.
A lista preencheria
um site à parte, nomes como os dos brasileiros Torben e Lars
Grael, Eduardo Souza Ramos, Jorge Zarif, Cláudio Bierkark, Mário
Buckup, Eduardo Penido, Sérgio Mirsky, Robert Scheidt, Alex Welter
e Boris Ostergren, entre tantos outros.
“Além destes, argentinos como Gabriel Borgstrom, Julio
Labandera e Toribio de Achaval, os uruguaios, chilenos, europeus e norte-americanos,
todos de muita relevância para o YCI, afinal de contas, são
os velejadores que fazem a SIVI”, completa José Manoel
de Aguiar Nolasco, diretor de vela do YCI.
Tendo começado como uma semana de regatas de monotipos o evento
foi ganhando repercussão e importância a partir da década
de 80. Os anos 90, por sua vez, começaram a assistir a profissionalização
da organização, cuja parte operacional e comercial começava
a ser terceirizada.
A partir de 2000, quando o sócio velejador José Manoel
de Aguiar Nolasco (bi-campeão da SVI 93/94 na classe RGS), assume
a diretoria, o evento ganha novo impulso.
“Alguns fatores relativos à organização muito
contribuíram para sua projeção, como constantes
parcerias com a Marinha do Brasil, Comando do VIII Distrito Naval de
São Paulo e Delegacia da Capitania dos Portos de São Sebastião,
dão importante apoio no mar.
Cabe lembrar a importância dos patrocinadores e apoiadores que
viabilizam e engrandecem esse que é o maior evento de nosso clube.”,
finaliza José Nolasco.

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